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segunda-feira, 10 de agosto de 2015

10 de Agosto de 2015

o dia do término, enfim
não preciso dizer mais nada
nem escrever
as coisas que eu ouvi
aquilo que disse
bastam para compreender
o desejo que já morava
aqui em mim:

tudo claro
retinto, superfície quebradiça
sinceridade extremada
a dor não é igual
e não se disputa qual dor
doeu mais
mas
mesmo assim

terminou, finalmente
meu peito sincero agradece
tamanha ousadia
foi legal
foi bacana
mas sobrevive já
feito passado

a gente não sabe de nada

e esse instante
serve apenas para isso
para firmar
o seu olhar fugidio
alguma incapacidade sua
de enfrentar
o presente
que a ti
é presenteado

posso escrever versos terríveis
dizer coisas sem fim nem começo
mas guardo pouco de ti:

os olhos vesgos
o olhar fugindo
a falta de palavras
e a demanda por cuidado
a demanda por sempre mais
(do que existe)

isso é tudo
a mim, nada é
mas é tudo
para explicar
aquilo que já sabia
antes mesmo
de nos desfazer

tudo certo
durmo tranquilo
meu corpo pede

poesia minha
agradeço a ti
por me deixar falar
o que falo

agradeço a ti, poesia
agradeço!
como a ninguém um dia
já agradeci

foi você
que me permitiu chegar
e a partir daqui
partir

mergulho


profundo


bateria


lugar para mim

estou aqui

não precisa

se precisar

não vou precisar

mas se precisar
estou aqui
para ti
estou disponível

se cuida
se cuida, tá?

oi?

eu não ouvi
não preciso
não precisa
está tudo certo

aqui
entre versos
minha grosseria tem autonomia
e as cores pesam
sem piedade

o que há de incrível no amor?
talvez um único fato
ele acaba

e se tanto foi pedido
que eu aprendesse a desamar
eis um motivo para brinde
acabou

ficaste feliz?
eu também

porém

não mais brindes
foi o último
o brinde pelo fim
graças a mim
graças a mim
graças a mim

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