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sábado, 6 de junho de 2015

Pudesse um homem





Pudesse um homem
desenhar aquilo que sente sem saber
Tudo aquilo que escuta
sem nem bem ouvir
Pudesse escrever
sem palavras
sem caneta
nem papel

Pudesse um homem ser
só como acontecimento
Um evento
um furacão
Um tsunami
uma ausência no tempo

Talvez tivesse estes traços
talvez no azul houvesse o futuro
e no amarelo ouro
houvesse toda a sorte

Pudesse um homem
adentrando sala de um apartamento vago
Rachando as paredes com os pés
pudesse ele escrever
não mais choro
nem mais pranto

Nem mais sobre si mesmo
Pudesse
ele
este homem
Falar sobre o imenso
que não cabe nos olhos
Sobre o abismo
no qual se depositam
corpos assassinados

Este homem
não seria eu
Porque ainda
hoje sou eu
Ser meio vago

meio ausente do mundo
tentando ainda reverter
um quadro mofado

Quadro fadado
a ser desarranjo
A ser de outrem
que não

meu

Quiçá

de um mundo.

Obra de Emanuele Vittorioso

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