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quarta-feira, 17 de junho de 2015

Nome ao Boi

Não custa ser sincero.

João,

sobrou seu nome
e um resto de amor.

João,

o fato hoje é claro
você foi, abandonou-me.

Tudo certo.

Os dias vingaram
sobrevivi fazendo força
e com tenaz descaso.

Não tive medo de morrer
e veja: ainda estou aqui.

Não escrevo para que você me leia
não escrevo crente na sua atenção
Escrevo porque um dia me reconheci sincero

e assim como o orgulho para alguns
Desta minha sinceridade

NÃO ABRO MÃO.

escrevo em caixa alta
ESCREVO EM BAIXA ESCALA
tudo certo,

você veio
e de mim se foi
duro e difícil
é aceitar psicanálise

por isso escrevo, guri

escrevo para continuar escrevendo meus passos
escrevo para continuar vivo antes que o fim me abata

E ele virá.

portanto,
joão,

farei inda mais e mais versos
assim como darei passos e desviarei nossos mútuos trajetos

não quero te ver
não quero te saber
sobrevivo como fosse você apenas um fantasminha
nem sequer camarada
fantasma que um dia de súbito
por querer próprio
se fez em mim apenas isto

escombro
resto
quase nada

fantasma

tudo certo
nada pejorativo
você me foi lindo
eu lhe fui o mais possível

mas hoje
seguirei em laboratório
transformando a firmeza do meu amor por ti
em descaso
em término
em fim
em nada
nadica de nada

Não foi isso, aquilo que você me pediu?
que eu te odiasse o mais depressa?

demorei
demorou
mas veio
chegou

Penso em ti
e meus pés seguem firmes
Sua memória hoje em mim
é arroto do passado
é apego à mesmice

me desinteressei por completo
(para não ser general
confesso:
desinteresso-me quase por inteiro
quase
porque sempre sobra uma ruga nos olhos
uma verruga próxima ao peito
sempre um pelo de gato
que me causa tremendo desassossego)

mas,
cara,
o que fazer?
o que posso fazer?

VOCÊ SE QUIS LONGE DE MIM
você me abandonou
(não negue!)
foi isso o que aconteceu

lembra?

EU PULEI A PRIMEIRA ONDA DO ANO PEDINDO POR NÓS DOIS
enquanto você nos naufragava em mesma onda

que merda!
que infância crônica!

que vício no ser sempre menor e ter sempre que mais do que se é se ser.

tudo certo, guri

vai lá
vai longe
você um dia será capa de revista
(e me repudiará por isso)

mas eu já me acostumei a ser por ti repudiado

eu aprendi
a ser servo usado
a servir sem rastro de gesto capaz de retribuir o que lhe dei com amparo

tudo certo.
sem rancor.
sem nem mais seu roncar.
hoje

eu

me tiro do jogo
porque a infância para mim
ficou no passado.

tudo certo.
finja
tudo está certo.

a vida dará jeito no que ainda hoje não pudemos compreender.
ou não
ou não, rapaz

ou não.

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