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sexta-feira, 5 de junho de 2015

Existir não basta para importar

Antes não
Antes não me deixava
Achava cruel
Não queria me permitir
Se me viesse
Em sonho em cheiro
Logo após acordar
Eu me mutilava
E fazia força contra o fato
Insuspeito
De que em mim
Por mim
Você se lembrava.

Doía tanto.

Não ter controle sobre
Não controlar a lembrança
Não guiar o desejo
Ser apenas corpo morrendo
E te trazendo de passo em passo
Te buscando
Mesmo não mais te querendo.

Antes
Eu contava até 4
5
8
10 segundos
Sem pensar em ti.

Mas hoje percebo
Já faz algum tempo
Que você simplesmente existe
E pensar em ti
Não te dá força alguma
Em mim.

Existir não basta para me importar.

Sua presença fantasma
Persiste sem que eu possa a anular
E tudo bem
Nunca achei que a vida fosse
Plano capaz de ser desenhado
Nunca acreditei que pudesse o mundo
Ser apenas o desejado.

Tolerar as faltas
A presença dos ruídos
a vinda abrupta das ruínas
Eu aprendi
Aprendo
Eu estou sabendo lidar.

E agora
Você me amanhece faz já 3 dias
E eu penso:

O que querer tu neste agora?
Por que não cessa de me trazer
sua face oval e sua disritmia?

Não sei o que te dizer.

Talvez seja o inconsciente
Querendo nos fazer se encontrar
Mas não.

Sobrevivo como quem sabe
Que passado um tempo
Outro também há de passar.

Não tenho pressa
Não temo o desassossego
Estou pleno
Do jeito meio ao meio
Em que você me fez ficar.

Não te odeio
Não te menosprezo
Mas é certo
Que criei uma pendência
Que pela vida inteira
Talvez vá me habitar

Não você.

Não confio.

Não me permito
Confiar.

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