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sexta-feira, 5 de junho de 2015

O que se pode apreender

A cabeça persiste em pensamento.

Cansado
O peito quer fazer frente
a esse constante apaixonamento
pelo tormento.

O que fazer?

A música desorienta.
O cigarro tem gosto ruim.
Nem vinho quiçá cerveja.

O corpo não quer mais ser judiado.

O que fazer?

Olho o sol.
Mesmo.
Eu o olho
E a olha-lo
Permaneço.

Se fico um tempo
Assim no sol retido
Eu descubro a justeza
Do tempo

De amanhecer
Dormir
E continuar
Sempre a cada dia
Reexistindo.

O que dizer?

Sinto
Como quem esgotou
Os verbos e seus substantivos
Sinto como quem pela pele
Encontra abrigo.

Sem piedade
Por dentro ou por fora
Uma surpresa delicada
Desafirma o fim

Os poemas já escritos
Viraram cinzas
As declarações se foram
Nos ventos desta tarde.

Nem me peço desculpa
Porque estou no caminho
Empenhado.

Queima
É claro
Ainda é desejo
Mas talvez
Antes de hoje

Eu não soubesse
O que pode ser a fé.

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