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segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Ei vocês,

Eu não sou desses que fica falando com gírias para ser aceito pela juventude. Sei que vocês me sabem por inteiro e penso que posso ser quem eu sou quando quiser tratar dos assuntos mais corriqueiros de nossa convivência. Pois vamos lá - e creio até que vocês vão se surpreender - é que eu tenho observado como vocês são e como dizem o que dizem sem nem mesmo se perceber. É fato que a culpa primeira é minha, mas eu não gosto de culpa e desde já livro todos nós dela. Eu quero dizer, é cada um. Estou faz horas olhando a prole, como costumo dizer a vocês. Olhando apenas, para ver como andam, se estão vestidos, se foram cortejados ou difamados. Eu escuto coisas de vocês e preciso manter a vigília, caso contrário estou arruinado. É brincadeira. Não tenho problemas com isso, agora, com certos dizeres pronunciados por vocês, sim, por vezes quero matar um de vocês picado ao meio, obliterado, alterado, refeito e reformulado. É certo, vocês sabem, que às vezes limpo uma coisa ali, ajusto uma meia meio caída, costuro um buraco na camisa... Enfim, certo cuidados que todo pai - como eu - costuma ter.
Agora vamos com calma com essas observações tenazes sobre como as coisas são e devem ser. Amenizem esses verbos no imperativo, eu lhes peço. Sejam mais doces, continuem sinceros, mas tenham leveza. Tenham toque como eu sempre tive e não reproduzam hábitos mal-passados. Eu não sei com quem eu me meto toda vez que olho em um de vocês este tipo de língua, este tipo de lapso. Sim, por vezes me envergonho, mas abro a janela e o dia me convence e diz, são crianças, como você um dia será, não se importe, se não passar agora, quando a morte vier, vai passar.
E então eu durmo tranquilo sabendo que em vocês as coisas se agitam e problematizam.

Eu não deveria dizer
mas esta madrugada persistente
este café ainda quente
botam o papai comovido ao diabo.

Do seu,
Diogo Liberano.

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