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domingo, 5 de dezembro de 2010

doenço

me invade a abandona
amanhece o dia e me toma
para depois
no iniciar da tarde
desistir de mim
partindo num sorriso ameno
partindo sobre as louças
e por entre a poeira do quarto.

então me volto ao espelho
e me pergunto:
estaria você doente?
porém meus olhos miram-se
cansados
é possível estar doente
por tanto cansar?


consinto.
dentro algo se move
lento e devagar
e nisso vou eu indo
eu indo sempre acreditar
em algo que neste instante
é já tão improvável.

sim, estou doente de cansaço
não há sintoma fisiológico
é peso existencial
é doente filosofado
que de tanto pensar a vida
passou do ponto
e desceu na primeira esquina
onde as ruas não tem nomes
nem números as casas têm
porque não há casas
e só, o deserto estala
pedindo comiseração.

tem fim?
não.
espero
no resvalar deste
e noutro segundo

permaneço, eu sei
sou feito da persistência
sobre o mundo.

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