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domingo, 5 de dezembro de 2010

chá

gostaria
não tivesse sono
não tivesse solidão
não tivesse esse silêncio
aumentando em tanto
a distância minha
da cozinha.

esquentaria
não já tivesse quente
não estivesse dormente
querendo gelo
onde há apenas pele
flamejante em calor.

beberia
sem pensar no amanhã
feito fosse veneno
arsênico
feito fosse algo capaz
de tudo o que hoje não sou
porque estou cansado
e isso precisa me bastar.

viste?
não consigo
morrerei apenas
no dia em que morrer.
até lá
resvalo sobre mim mesmo
e o sempre nunca o é
e o infinitivo nunca sempre procede
posso ser tudo e mais um pouco
posso ser hoje somente prece

resvalo
é essa minha condição.

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