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sexta-feira, 5 de junho de 2009

tua dor

está aqui, você vê?
não, né? imaginei que fosse responder assim.
mas está aqui. bem aqui. pode vir.

(distância)

não quer se aproximar? vem. eu não mordo.

(distância tensionada)

e se eu disser que eu mordo, você viria?
também não, né?

o que eu queria te dizer era para ser ao pé do ouvido,
mas eu passo por isso eu sempre passo por algo e te entrego
em suas mãos
a complexidade da vida digerida
a complexidade da esquina desenhada topografada organizada
em rimas

então, vem
que eu não mordo ou mordo
mas se você quiser
se, e somente se, você quiser
pergunto

você quer?

é que eu estou numa fase de muita clareza
estou tão desimpedido que as coisas ficam nubladas
por conta da sua utopia atingida

compreende?

eu quero dizer que agora é certo em mim o que em mim pode haver de você.

e você se pergunta
que você é esse de quem ele tanto fala?
gente, você é você
pode ser pode não ser
importa?

deixa eu interlocutar com quem me dá prazer
e neste momento, o prazer é direto reto abjeto no primeiro você
que sinalizar
sim, sou você.

entende?

(o espelho começa a suar)

uma perversão refletida
um amor narcisista que vai morrendo meio ao meio
meio falido pela autofagia
pela autocomiseração de cada dia...

tua dor, você não tem
tua dor, é minha
disso você sabe bem
deixa então que eu manuseio
tudo isso como se fosse
brinquedo

tua dor, você não tem
tua dor sou eu,
quem vem
e vai quem
antes e ademais

tua dor, sou eu, meu amor.

.

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