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sexta-feira, 12 de junho de 2009

tomada de consciência

eu quero te dar um choque
não chute nem sangue
a coisa reside na mudança de sorte
na memória efetiva do que passou
no desenho preciso do que o transtorno
naturalmente
transtornou,

agora, pára. olha aqui no meu olho porque eu não vou ser pouco eu não vou piscar se você gemer fingindo que é dor isso que é persistência nas poças da ingratidão. não. o vínculo família se diz em outro afeto, não o quero sendo assim tão abjeto portanto pára e olha aqui, se conseguir. e caso não consiga eu devo dizer (com as mãos) há de conseguir, eu te ajudo.

eu te abrupto
e dou-lhe tomada
na consciência
quebro em você essa enzima
que retarda a percepção obtusa do dia
e tudo soa agudo, mas incapaz de extrapolar
tudo já soa grave
mas a realidade ultrapassou a medida
ela inopera a vida ao redor
e todos só sabem se compadecer
da SUA dor

mas e a dor do mundo
e a dor do íntimo profundo
que é a do abismo

para onde desviam-se os gritos
abismo para onde se vão perder as crianças sem pai
os amores sem amante
o abismo que inopera ele mesmo o instante
e situa a perdição como saída plena
posto solitária.

pára, olha no meu olho
eu juntei força eu lustrei esse rosto
para fazer nele brilhar
o horror que você tenta conter aí dentro
desse peito que agora há de abrir
nem que seja a choque
nem que seja,
há força.
.

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