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segunda-feira, 8 de junho de 2009

des_encapar

rala-me o corpo
retira-me o veludo
que diz ser você
a pele
do meu rosto.

rala-me tudo
deixa-me nu
sem saída

quero restar pele e osso
e carne e agonia
no meio de uma
esquina qualquer


no cruzamento

deixe-me parado
ao relento
só pele carne
osso e agonia

deixe-me primeiro
que outra pele em mim
germina

feita das impurezas desse ar
dessa gripe que inconsciente-
mente, conseguimos escapar

pele essa feita de espirros
de galantes sonoros pedidos
do moço pelo seio da moça
que despenca do ônibus

pele feita sem receita
tentada inconsistência no tentar

deixe-me ser
deixe-me estar
é essa a eternidade da qual
não quero
escapar


desencapar

tira esse luto de mentira
pois o luto é dentro
não é capa
é morfina

tira esse luto extra
deixe esse agudo silêncio
fazer sobre mim
sua última reza

não quer dizer nada
quer dizer apenas
és capaz de reinventar

pede pela pele poder partir
pela pele pede para ti poder
enfim
ser estar
permanecer.
.

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