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terça-feira, 5 de maio de 2009

não dá tempo

ele sai correndo pela porta de entrada
é contramão
outro homem vem eu seu percalço
corre, meu filho, corre mesmo
que a esquina é pouco para te salvar

o outro vem vindo
ele vem correndo
dá para ver o suor sorrindo
a testa premendo
corre, meu filho, avança aos saltos
falta pouco é verdade

corre, então, sem pensar
sem olhar para trás
o que ficou você já sabe
mas lá no horizonte
o amor ainda é possível
por isso corre
corre para não conseguir pensar
que você está só
um carro atravessa a rua e mata o meu amor

eu paro de correr
eu inteiro sou só dor
não há nada antes
nada pode haver depois
eu sou eu posto seja presença
daquele instante
em que morre um amor
no qual se acreditou

engraçado, eu penso semanas depois
sentado num café comum de paris
se é que os cafés de paris são tão comuns assim
eu tomando um vinho tinto todo seco
e pensando, sempre pensando

engraçado como evoco amores
evoco outras mil dores
tudo isso para dar conta de um extravazamento
que flui
independe ao tamanho de minha fome
ou sede, ele flui

por isso eu invento
invento e nisso,
- é sério -
eu vento
porque oscilo preso em arestas sempre alternáveis
em contornos nem sempre tão fechados a chaves
eu sou o que posso ser
eu posso ser qualquer
tenho em mim a liberdade
que a humanidade morreu para cunhar,

por isso talvez sobre tanto amor
sobre tanta morte
pois,

é preciso arrancar a relva para que o verde permaneça,
disse heiner müller em mauser.
.

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