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quarta-feira, 20 de maio de 2009

autofagia

o faz, primeiro, por egoísmo. por querer sentir ele mesmo o tamanho imenso de seu abismo. resta, então, uns segundos ali sobre a cama, resvalando a impossibilidade de ser em si outra coisa que não aquele espasmo de desejo, que não aquela mancha ruído um mosaico indefinido pela perdição dos dias.

o corpo que acordou agora vai direto à cozinha. por egoísmo, primeiro ele se alucina. e vê sol ao virar para dentro o resto de vinho que o nivela e permite o dia. o corpo primeiro se alucina e o sol agora resta ameno, não pode ser tão assim terreno, não o pode mais ferir pois tem ele - o corpo - a pela nostalgiada. sabe? se se pergunta certas coisas não importa responder. a lucidez está no perceber claro de que perguntas. às perguntas outras respostas deverão se erguer, mas não. não importa. o corpo egoísta qualquer resposta.

ele digere no próprio espaço da cama qualquer impossibilidade. e tudo amanhece pleno, tudo amanhece vontade terrena. do gênero daquela geléia escorrendo plena pela boca pêlos e corpo. morde em mim esse morango turvo esse parvo gosto tão assim elementar. eu preciso isto. o corpo egoísta e cria em si mesmo toda e qualquer armadilha. quer em si os outros derrubar, por isso amanhece despido querendo se possível voar.

e se pergunta,
queres voar? dá-se então a um destino que sou incapaz de ditar. o corpo quando se pergunta o inevitável é porque por ele mesmo já foi tragado e só nos resta esperar. ver retornar que cacos poderão sobrar desse embate feroz entre o desejo e a saciedade. o corpo está gritando. só mesmo outro corpo que o possa calar. somente outro que venha e prove o teu silêncio.

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