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sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

V I L

deus morto,
a poesia é como ti agora
degenerada infeliz imprópria
mas cheia de aura
rebelde por atenção.

meu deus,
eu não passo de egoísmo
de um eixo que se abraça
pedindo ao mundo
sua legitimação.

mas não,
não sou eu apenas deus
somos todos nós
infelizes aguardentes
deste tormento.

não sou eu apenas,
você que me lê
ela que aqui me vigia
ele que-me abomina
procuram em vão

também seu centro
seu eixo
seu recreio
convento
das rimas.

o meu egoísmo
se assemelha a ti
porque assim somos
na vã tentativa
de não solidificar,

de não sobrar
de nem suprir
nem firmar
sozinhos por nós nos apaixonamo-nos
sem parar,

sem fim
eu por mim
você por ti
cada qual vendo nessa pele-espelho
a fruta-flor-desejo:

identidade
individuação
eu tu ele nós
nós não
vós

eles lá partindo

seres sempre indo
para onde minhas estrofes
parecem não ter versos
para alcançar:

quero abraçar o mundo
mas minha rima não é livre
e o mundo
é mais vulto hoje do que se poderia
poetizar.

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