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sábado, 30 de janeiro de 2010

a isso que chamam o amor

eu acho que eu me confundi.
e parece não existir volta ou cura, enfim
eu havia dito hoje cedo
eu me perdi de mim
em ti.
e a resposta a esta questão afirmativa
sem interrogação
se desfaz em versos mil.
nem você
nem ninguém comigo veio falar
eu passei o dia inteiro
e volto agora
às 05:16 da manhã
para fazer pela poesia
aquilo que não consigo fazer por sua pele,

selvageria,
estou perdido
eu fui confundir amor com meu ofício
eu confundi poema com paixão
e agora tudo sai nesse formato
cada você que eu digo
já indica lá na frente
ou é por amor
ou é por composição

das rimas
das linhas
metáforas e afins,
ou eu digo nesta língua fingindo ser você
ou rumo ao centro de ti
e mordendo sua boca vou dizer

está difícil cada vez mais a poesia do dia-a-dia, sabe, amor?

está difícil o amor mesmo quando o encontramos em toda esquina.

é difícil mesmo poetizar, como o é com isso de amar
é difícil
é custoso - consome -
e sim - poetizo - é capaz de matar
porque frisa na pele a ambição das horas rumo ao desespero
rumo à falta
ao salto hiperbólico
de quem tem tanto mas explode
primeiro por dentro
pelo corpo já velado
sendo todo sentido
sendo o corpo, amante-
-ultrapassado.
 

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