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segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Ladainha

Eu pinço este olhar.
Sobre as coisas, pinço as palavras
e então, faço mosaico de ruídos.

Nem bem o que desejo contar
Nem bem da forma esperada
Pinço as palavras e palavras são coisas muito solitárias.

Eu poderia ali já ter terminado
Mas a solidão ali em cima conjugada
me pediu - implorou - por companhia.
E solidão é coisa tão solitária:
diz tudo e finge nada dizer.

Então segue o cego do poeta
em sua profunda agonia
do não-saber.

Eu brigo com essa voracidade.
Eu não quero mais fazer parte
desta Enciclopédia.
Quero apenas usar vocês
para aquilo incapaz de nomear.

Então elas me olham, variadas
umas com tipos tremidos histéricos
outras em negrito
outras até itálicas
em caixa alta
fazendo todas cara de coro
i  m  p  o  s  s  í  v  e  l
de se tapear.

Isso acaba comigo. Mesmo.

Saber que delas eu preciso
para dizer que delas
posso não precisar.

M E N T I R A !

Uma despenca como gota no meio desta página...

...V I R T U A L

Queda a prima feito raio corrigindo a confissão.

[...] Eu silencio, mesmo que possa não parecer. [...]

É que existe longa respiração entre o aqui posto
e as mãos sobre o peito a barba as teclas e cabelos revolvidos
Tudo isso é caminho para tirar do âmago do enxame
uma escolhida palavra
alada.

Não pode assim sempre ser.

Quero dormir no silêncio e acordar nu no essencial.
Contenção será meu jogo, não se desesperem...
Com o tempo surgem novas vagas de emprego como no jornal.

Mas aqui - agora - somente restarão
as que forem capaz de voar.
Não quero fala.
Nem falo o que as satisfaça.
Sigam constantes no treino estilizado de aprender a dizer
apenas aquilo que no íntimo
incide ao ser.

E eis que então nossa comunhão será assim revelada,
quando forem estas e todas as outras primas,
amadas linhas aladas.

Um comentário:

Lu Garcia disse...

ah... o que teria se tornado Dobras com a tua poesia... :(

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