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domingo, 10 de janeiro de 2010

Luta Vã

Não quero mais confundir você com um verso qualquer.

Queria se possível ao invés de dizer você
- carimbar aqui o seu nome -
dando fim ao jogo da metáfora
classificar para assinar este corpo
para assinar como perdida a chance de escapar
Assassinar este corpo pela fala
e que ela seja assim capaz de em mim te assegurar.

Mas sei, sei que assim aumentaria a fome
A fome de alguma coisa que talvez só exista aqui em mim
- sim -
coisa perdida em sentenças esquálidas
coisa aqui em versos maltratada
como fossem versos tiros cegos
cegos mas certeiros
viciados persistentes nesse mesmo rumo meu
recorrente roteiro ao transtorno s/eu.

Então vou eu me superar.
Dizer a mim que não vou fazer
- que não vou fazer -
mas tudo isso para me subjulgar e perceber
que isso que faço agora já nem é por mim,
perceba,
mas outra vez por você.

Por isso não quero mais.
Não quero mais escrever que amo as rimas,
pois rima foi esconderijo para abraçar o seu corpo.
Não quero aglomerar palavras parecidas
quando na verdade
tentava reunir o seu gosto.
Nem mais refazer ruídos que no papel
parecem interjeições sem jeito - não não quero!

Porque dizer toda vez que me dói quando as palavras se vão
é me enganar para não expor que na verdade
o que me dói mesmo
é mais a falta de um beijo seu aqui em mim perdido
vagando alto nesta minha vaga imensidão...

Não mais. Sim. Você bem vê.
De palavras eu me farto.
Nas palavras eu me perco
e já perdido de ti
inda me vago mais ao perceber
que as palavras são a única coisa palpável
entre nós (eu e você).

Foi o nó que nos aprisionou.
É o que nos une
É o que nos faz
nem tanto assim um ao outro
ausente ser.

Pois quando assim somos
ou quando assim tu és e eu de cá também vou ser,
me volto a dizer que a metáfora deve morrer
vivo dizendo a mim e a quem aqui me lê
que a culpa é do verbo
que ela está nos versos
que se alternam em profunda agitação
e assim me fazem dizer você
sem saber,

como se faz para ter você aqui comigo e poder, enfim,
me privar de te escrever.
    

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