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quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Desmanche-me

Tão cedo para decepções.


Mas não dura tanto quanto o esforço
Eu risco sento me concentro e formo
mas não dura tanto quanto aqui dentro


Cedo para se decepcionar
cedo para descobrir tudo em vão
mas se ergo a mão
e a coloco aqui sobre as letras dispostas
o suor escorre o corpo e indica que a poesia que vem
deverá nascer
sem dúvida
alguma
torta


Sabe? imprecisa
precisando se possível de alvo
de mira
mais concreta do que esta
destinada a você


mais uma vez a poesia vai degringolando e eu vou me perdendo de você
se falta um bjo um abraço eu vou sentar aqui de noite
e o reflexo se faz exato
onde haveria consoante haverá um buraco
uma falta de atenção
as vírgulas rompendo o fluxo,
as, vírgulas, assinalando a confusão


,mais outra vez eu aqui tentando reter
esta presença tua que já não se faz
,que ,me ,deixou ,ao ,amanhacer


a poesia então coitada
nasce mal conjugada
nasce infeliz
destinada ao fim
destinada a criar
outra vez mais
uma pedra em mim
pedra de mim
impasse impossível de se trapacear


e dói porque é cedo
era cedo
cedo seria para isso presenciar
para descobrir no amor
no sentimento sentido
essas esquinas doídas
esses disparates
todos ruídos.


dói, é certo
dói protesto
mas como?
se a ordem das coisas se perdeu
como se a beleza que eu tinha
em você permaneceu
e eu me descobri só amando sozinho
eu me descobri só amando sozinho


paro.
a droga me salvará
mentira não vai
eu sei
ela só pode me desvirtuar
fazendo olhar para tudo com olhar de encantamento
olhar para este pequeno inferno
e acreditar
nas calhas da desilusão
quer corre por entre estes vagos
espaços
que corre
encontro
que corre
possibilidade
que correm
nossas mãos
unidas,


deixa eu chorar
deixa eu chorar
não olhem
virem para lá
virem para cá
não
para lá
não olhem
deixem meu íntimo se descobrir só
ele se anula toda vez que vê um sinal aqui de vocês
toda vez que acha que alguém o vê
quando na verdade
entraram aqui
para se verem
onde agora
não mais estou eu
porque fui doer.
porque fui doer.


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