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domingo, 24 de agosto de 2008

A Poética do (meu) Espaço

1. Janela
Sempre dentro de uma há outra nela. Janelas são portas do acaso, portas do quarto no qual me tranco dentro e faço o mundo acontecer. Mas não falo de portas, e sim de janelas, do que há implícito nelas. E se por acaso, pela janela, decido o mundo conhecer, é ela que me dará a altura inversa e necessária ao meu medo. Não pularia esta etapa. Ainda moro no terceiro andar e nem todas as casas têm sacadas. Nem todas as janelas são feitas para atravessar.

2. Fechadura
Eu a troquei outro dia. A da porta de entrada não é a mesma da da cozinha. Da dadaísta. A fechadura da cozinha não fecha nada, a porta fechada resiste ao vento e ao tempo. Camadas de tinta sobrepostas acumulam o tormento de ter que trancar o vento para que ele não apague o fogo do fogão, para que não corra poeira sobre o macarrão. Mas das fechaduras, eu devo dizer, não duram tanto assim. Quase sempre as chaves as estupram e não sobra nada exceto o fim, o rouco ranger dos dentes da chave indo o mundo de um bolso conhecer.

3. Chão
Cada um no seu chão chato. Em cada chão um pé. De fato, cada território da casa tem um chão diferente. Cada chão tem um presente ausente passado a cada passo que eu piso. Eu me embaralho. Eu fico confuso ao sair do banheiro e pisar o quarto, apesar de saber que entre os dois chãos há o da sala, empoeirado. O chão de uma casa revela o seu impacto, na vida do morador. O chão mais sujo, sobretudo, é o sob a mesa do computador. O chão mais limpo, talvez, seja o da cama. Que é sujo, de antemão, mas santo, numa segunda opção. As coisas confudem-se, ou seriam, as coisas se confudem. Os chãos se misturam e quase sempre uma fria pedra de mármore é o que separa você da sala de estar.

4. Geladeira
Conservação. Ali eu guardo o que se ficar exposto pode denunciar-me a podridão. Ali guardo amores não todo amadurecidos, ali congelo rancores que se jogados ao mundo não se dissipariam. Eu controlo a intensidade. Exceto o prazer no abrir e fechar que quase sempre perde-se em volteios sobre o que não saber sobre o se alimentar. No abrir e no fechar a porta evoca outro ventar e tudo vira ar frio que no segundo partido se esquentará. No abrir e no fechar uma água gelada pode acalmar, uma ferida que pede o gelo pode saturar. Ou pelo menos não poderia segurar? Esperar pelo momento do se converter em choro ou rio ou vinho tinto e seco?

5. Chuveiro
Espaço da descontrução. Nele me deito e deixo correr junto com o rio a minha indecisão. Meus sonhos liquefeitos escorrem-me pelo peito e se agarram aos pêlos pedindo Não nos deixe partir. Eu que nem sempre os vejo envolvo-os em submissão ao deitar-lhes o sabão e a mão e fazer na espuma nova configuração; viram sonhos as utopias. Viram bolhas de respingos de água morna e monotonia. A vida se refaz num banho que precisa correr, posto o chuveiro quase se queima quando eu abuso do seu ceder. A cortina branca acentua a sujeira do corpo. O shampoo escuro esquenta os cabelos pretos e tudo pesa o pensamento. Das pessoas que por ali cruzaram. Dos corpos que sob o mesmo chuveiro de mim se aproveitaram. Os corpos sob o chuveiro não se aproveitam, mas duelam rumo a ser a única matéria a ocupar o espaço das gotas no despencar.
.

2 comentários:

Dominique Arantes disse...

O seu espaço tem um ar poetico !

Preguiça de comentar !

mas ...

Adorooo suas palavras!

beijocasss

wolf_221 disse...

CARA AMEI FIQUEI VIDRADO
TEU BLOG É IRADO
È já deu pra notar na rima eu deixo a desejar....
Muito prazer meu nome é RAMON RAIZEN

queria te mostrar algo que escrevi . espero que aprecie. Algumas frases eu tirei do seu blog espero que não se inporte.


Eu não faço do tempo um argumento
Pra desistir
Eu não deixo o destino se impor a minha vontade
Mantenho sempre mente aberta as adversidades
As pessoas acreditavam que eu tinha me rendido
Ajoelhado e desistido
Mas na verdade sempre busquei algo pra me iludir
E achei a prova disso to bem vivo aqui
Estou saindo quieto para longe do convívio
Procurando um lugar mais calmo pra viver
Sempre busquei lugares calmos
Pra pensar e relaxar. Mais confesso “Pra sonhar”.
Não consigo me ver bem daqui a 10 anos
Minha vida agora é incerta – tenho apreço por isso
To gostando disso
“ Meu futuro é cada manhã
Não procure saber pra onde eu vou
Meu destino não é de ninguém
Não deixo meus passos no chão
Meu destino não é de ninguém.”
Cada dia que passa é mais um dia
Cada manhã que chega são mais mil planos
Eu sempre espero as coisas mudarem
Mais de uma hora pra outra não vai rolar
Linda e bela só mesmo ela
Eu que nem sempre a vejo faço dela um sonho meu.
Ilusão ou não faço de coração. Eu amo ela.
To sempre buscando algo novo pra alcançar
E se eu não acho me distraio vendo TV
Sempre reclamei de DEUS por tudo
Por tudo que ele me deu por tudo que ele me privou
Hoje ate que dou valor
Embora ainda que acredite que não foi justo
Eu não sou orgulhoso embora leonino
Sou um pouco libertino Hhehehe
Mais também o mundo hoje não está pros tímidos
De sorte sempre fui pobre
Com atos sempre sou nobre
As pessoas me perguntam:
--Ramon como você está?
--Prefere que eu minta ou diga e verdade?
--Verdade claro.
As pessoas dizem que a mentira é execrável e desprezível
Mais na verdade “Às vezes” ela tem seu lado lírico
Uma vez me disseram “Ramon agora você vê o mundo diferente.”
Respondi: È agora vejo o mundo com olhos de serpente
(as serpentes não enxergam sente o mundo com a língua)
Espero que aja vida noutro planeta to afim de comprar um AP Lá
Com vista pro mar

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