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quinta-feira, 14 de agosto de 2008

A precisão de um sonho

Antes de acordar, porém
Eu me levanto devagar
e abro a janela

Não há nada de novo lá fora
Nada que me faça querer ir
ao seu encontro

Por isso eu vago perdido
e se é isso que neste momento eu sinto
eu então vago nisso contido
nessa perdição que não é do ser
mas que ele faz viver
e persistir

Meus gestos estão mais lentos
meus sonos menos tensos
não há nada fora do lugar
exceto o peito
que parece desabrigado
que parece volúvel
e mal adaptado

Mas a que?
E a quem?

Meu peito bate sozinho.
E o mundo, não lhe imprime outra harmonia?
Não lhe preenche de melancolia?

Talvez,
eu não saiba
nem consiga
delimitar
as forças que estão
neste momento
agindo aqui

Mas é certo, porém
que antes de acordar
eu sou apenas eu
Vestido de nudez
íntegro como alguém me fez

Eu antes de acordar
dou bom-dia a cada pequena coisa desta casa que me abriga
para então
Vestido de nova nudez polida
abrir a porta
e partir,

como dizem,

Para ganhar a vida.

...

Chego em casa mais tarde
e vejo, sem muito alarde, devo dizer
que a vida que fui buscar
ficou deitada


No chão da sala
sobre o sujo colchão
a vida ficou esperando

por uma nova estação?!

Eu perguntei
Ela nada respondeu
apenas indicou
com seus silêncios e modos e meios
que eu me sentasse
e percebesse
pela prática da dor do dia
o que meus olhos fechando-se
gostariam de dizer.

...

Dormi.
Sonhei.
E nisso, pude ter você outra vez

Com a precisão de um sonho
que fez a manhã chegar
com o gosto seu
com a certeza na boca
e a saudade amenizada

Ela já não é tão louca
pois pode sonhar com você
toda vez que o corpo
em silêncio
disser para si mesmo
quero você que não posso ter
porque você partiu
e eu fiquei
porque você morreu
e eu ainda não.
.

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