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sábado, 9 de agosto de 2008

We Walk

Um desespero. Um desejo de recomeço. Mas sem esquecer o que passou, porque é por tudo o que aconteceu que eu me desespero. É por estar tão irresponsável e tão disperso que hoje meu peito grita dolorido. Não quer seguir. Não se for assim, afogado em meio a meias sujas. Desprovido, o peito, de calor e abraços e surpresas a cada curva.

As coisas acontecem como tem que ser. Não como gostaríamos, mas como devem ser. O meu quarto hoje sou eu e meus pertences. Estou abolindo os móveis, que não são meus, e o que fica é a sensação de estar no chão. Nele deitado, sem colchão ou armário. A sensação é dura, fria, mas firme. É a partir desse chão que alcançarei meus vôos. Que vôos, afinal? Eu quero voar? Eu quero poder acordar e dormir sem chorar.

Desespero porque são muitas e pequenas coisas que exigem meu cuidado e meu amor. São meus filhos que estão com fome e eu não compartilho a sua dor. Eu apenas vou seguindo. Vou respirando o ar do mundo e devolvo o gás carbônico que faz a violeta desta casa crescer. Nada mais. Sigo furando o caminho, impondo um destino que não consigo gerir, mas que foi gerado e que por isso precisa se adaptar. Se adaptar, sempre, frente ao dinamismo dos dias.



Ontem cortei meus cabelos. Era madrugada. A tesoura indo apressada e retirando o excesso, tranformando em gesto a face oculta. Refazendo pelas marcas do rosto exposto a sua configuração. Não gostei do que fiz, ficou esquisito, ainda não me acostumei. Mas eu preciso dessas idas contra mim mesmo. Eu preciso me ferir no peito, abrir um buraco inflamado e deixar a vida assim correr. A vida sendo maltratada me ajuda a saber que ela ainda é válida.

Fiz uma prateleira. Duas tábuas, entre elas duas caixas de sapato dão sustentação e feito está o altar. Nele meus livros descansam e começam a empoeirar. Uma falta de sentido vela cada página, não saberia estudar. O estudo, neste momento, diz respeito ao que há dentro, não de livros, mas do eu mesmo.

Sinto amigos se afastando. Sinto a morte que já passou me recobrando dores. Sinto horror e não penso mais tanto em amores. Penso em caminho, em passagem, em ciclo, em uma possível arte. Músicas me acompanham e o que eu posso dizer é que eu ando. O que posso dizer é: nós andamos. Agora, para onde?
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Um comentário:

Amigos disse...

eu que ia cortar.
nao cortei.
me cortaram.

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