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sexta-feira, 22 de maio de 2015

todo esse discurso apocalíptico sobre o rio de janeiro.


me pergunto, antes de acreditar nas coisas que ouço ou leio, me pergunto a quem possa interessar esse retrato de "realidade impossível e inabitável"...
a resposta está na nossa timeline (bem como no jornais televisivos, todas as noites, e nos impressos, todos os dias).
a quem interessa transformar a vida num espaço-tempo impossível?
ora, não sejamos ingênuos. tudo isso interessa ao comércio, aos negócios, ao capital. a esse monstro que não cessa.
planta-se o medo e a destruição para que se venda o remédio e a proteção.
já é assim faz um longo tempo. não mudou, apenas se agrava.
é só embarcarmos nessa de rio de janeiro impossível que, em tantos meses, teremos roletas vigiando quem entra nas praias. teremos pedágios sendo pagos para sairmos de nossa própria casa.
não, não desconsidero as gravidades inúmeras que a cidade do rio de janeiro passa. talvez sequer eu as conheça de verdade, mas generalizar a cidade como este inferno é a primeira estratégia para que - inconscientemente - seja a cidade transformada em inferno (também por nós mesmos).
uma coisa ainda me parece determinante: não vou deixar de ir às ruas, ao bairro tal, nem vou deixar de usar e frequentar a minha cidade. não vou deixar de desafiá-la. a minha presença nessa cidade-shopping desafia sua imagem-catástrofe.
gosto de sorrir aos senhores e senhoras. gosto de agradecer ao trocador do ônibus. amo segurar a porta do banco (para que entrem e saiam inúmeras pessoas). amo tornar possível. tenho, inclusive, aprendido a atravessar a rua apenas quando o sinal de pedestres está aberto para mim.
a questão não me parece ser essa afirmação: está impossível morar no rio de janeiro. a questão me parecer ser justamente uma indagação: está impossível morar no rio de janeiro? está impossível o rio de janeiro?
sem duvidar, a gente só acata o soco e paga o plano de saúde.
tem que haver outra coisa (para além de dizer o que os outros me dizem que precisa ser dito).




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