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sexta-feira, 22 de maio de 2015

Instabilidade Perpétua

A poesia é a única que sobrevive em meio a tudo e tanta coisa. Uma profusão de estados e sentimentos que é prudente deixar que as palavra sigam adiante, forjando linhas e não versos. Sigam, palavras. Podem seguir. Eu estou bem. Bem aqui. Eu estou ciente, consciente, eu estou me olhando - diariamente - e a certeza é plena, cabe no corpo, não atravessa a cabeça e nem sucumbe o espírito. É só que é tanta coisa, tanta coisa sem nome, que me apavora apenas a quantidade e não sua indefinição. Queria ser música, mãe. Novamente. Por vezes, volta-me um desejo desse tipo. Querer ser música, ser frequência, ser som, um pouco menos desse arranjo material.

Tenho pensado tanto sobre essa balança. Tanto sobre equilíbrio. Tenho medido meus vícios e os tenho vivido, com intensidade e amor. Tenho descoberto tanta coisa. Revelado a mim tanto de mim que ainda não sabia. Mas muda o dia. Silencioso o dia muda e minha agonia - que nem é bem agonia - ela se multiplica, se modifica, e tudo então está para ser começado.

Se eu desisto? Não. Sou duro feito pedra. Isto é fato. Persisto com ou sem força, persisto por condição. A vida nunca me pareceu lugar confortável. Não me resta opção e nem se restasse alguma saída eu pediria para sair. Eu fico. Eu persisto. Eu amo estar aqui, amo isso tudo, amo estar vivo.

A potência que me povoa é imensa e não cessa de crescer. Falta-me
 braços e pernas para aprender a ser a ousadia que em mim, um dia, a vida (ou fui eu?), a vida fez nascer.

Ouço músicas como quem solicita ao tempo um abraço. Elas me envolvem e mesmo já com tantos amigos e amados abraços, por vezes é só o meu mesmo que parece me importar. Fuzilo-me nessa condição. Acho estranho um homem tão jovem já tão provido de si mesmo. Mas é isso, não é? Enquanto tem gente se procurando eu já me achei. Eu já me flagrei e me apaixonei por essa possibilidade: a de amar estar vivo e a de amar ser quem eu me tornei.

A morte virou minha amiga faz tempo. O amor - e sua noção - se desfizeram faz há pouco. As ilusões do mundo não me comovem e nem valem meu suor nem meu tempo. Desconfio em paz. Em paz, eu desconfio do mundo. E está tudo certo.

Uma instabilidade me organiza. E se for preciso - como agora me foi - eu estaco. Faço uma pausa e reflito um pouco sobre ser gente grande, bem grande, ser ser imenso e imediato. Eu me altero o sentido e fico, perduro, eu duro - feito pedra - sobre toda e qualquer incoerência.

A vida está do meu lado como nunca antes, talvez, tenha estado.

Eu estou inerte agora apenas por sentir meu peito avulso e povoado.

Que incrível é não ter que pagar psicanálise.

Cheguei até à porta do Eugênio. E voltei. Se voltei por medo? Não. Não foi. Foi só porque de mim eu nunca me desencontrei. Nunca desencontrado estive, a ponto de precisar de bússola. Está tudo certo, eu repito. Essa é agora minha busca.

Que beleza.

Que lindeza.

Que sublime é tornar o mundo um lugar outro que não apenas o impossível.

É jogo instável posto seja jogo precioso e preciso.

Boa noite, amigo.

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