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domingo, 10 de abril de 2011

Para bater o branco

gasto tempo com nada.

demoro uma vida para abrir o caderno.

resvalo profundo como se o fim tivesse morrido.

percorro a cidade em pensamento.

e em luto profundo, agonizo.

quero correr.
quero roubar.
quero ser música,

mãe,

quero ser música.

pago o aluguel.

ela me pergunta e os amores?

eu silencio profundo,
estou atrasado.

o tempo passando e eu nele junto,
assustado.

os versos se colam.

o dia beija a noite.

a noite o acaricia.

o papel do jornal colado à sacola plástica.

o café à boca
o leite e os flocos de aveia

tudo junto
enquanto eu,

aqui

resvalo

intenso

e solidificado.

que ficção minha vida virou que eu não consigo mudar de lado?

em que ficção eu me perdi?

em que ficção posso [talvez quem sabe um dia] ser encontrado?

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