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domingo, 3 de abril de 2011

Débito

Mais uma dose. Eu peço,
e preencho a caneca novamente com café.
Que óbvio eu sou, não? Eu penso.
Que seja. É bem assim que tem que ser.
Estás cansado? Pergunto-me.
Sim, talvez um pouco, sim. Nunca respondo.
É que fora, eu acho, percorre plena de mim a minha vida.

Ela indo nas escolhas que não fiz
Ela indo no que ainda não fui capaz,
mas voltando
toda noite

feito vida que se redunda em sonho.

Mais outra dose. É doce,
eu então desisto e peço a conta. É caro.
Eu passo o cartão. Eu vou consumindo tudo até ficar só
e refém da sua ajuda da sua cooperação da sua presença.
Estás pobre? Pergunto-me.
Sim, talvez sempre estive, sim. Retiro-me.
É que dentro, ser pobre, diz respeito a todo o mistério.

Ele indo junto no passar dos segundos
Ele ficando fixo no seu sorriso ou no escuro
mas voltando
toda noite

feito sexo assumidamente inseguro,
mas preciso.

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