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sábado, 9 de abril de 2011

genial!

um dia eu fui
quando eu só
conseguia reter
o que de mim despencava.

fui um dia genial
quando abri as portas
postei-me à sacada
e não havia nada ao redor
exceto meu olhar por sobre as coisas
de si abandonadas.

fui quando estive ali
e você não;

fui quando comprava azeitonas num comércio
intitulado hiperextrasupermercado:

eu mesmo digitei o valor
eu mesmo contei moedas
eu mesmo embalei o produto
eu tranquei a porta - mesmo -

e apaguei todas as luzes:
uma a uma.

eu fui genial quando me vi caído.

genial quando me vi destemido,
indo rumo à ruína deste acomodamento persistente.

fui genial quando senti
talvez hoje eu seja responsável por essa morte.

genial quando comi açúcar
quando encostei meu sangue
no dele,
quando esfreguei meu rosto
no dela,

corpo puído. machucado. feito ferida exposta
genialmente GENUÍNO gangrenante.

sim, eu fui genial, mas

ser genial é um estado que pertence a outrora.
ser genial é sensação nunca possível para este segundo,
pois quando estou ciente disso
eu me lanço adiante
eu me faço de mim história
eu dinamito o passado
e adianto o futuro.

ser genial é coisa que só se pode dizer quando houver memória
em falta.

Um comentário:

Marcio Nicolau disse...

impossível não adjetivar. Insisto no "genial".

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