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terça-feira, 12 de outubro de 2010

a minha criança

ainda está aqui, certo?
ela ainda sou eu
ela hoje usa barba
minha criança hoje faz
como se não soubesse
ligar coisa à palavra.

ainda não sabe dos riscos
ela ainda não sabe das horas certas:

nem para o café
nem para o almoço
nem para os remédios
muito menos para o sono.

mas sonha, viste? ela sonha
e tem pesadelo
tem medo e receios
mas sempre vai
sempre se lança
o que pode haver ali adiante que não surpresa?

ela ama a insegurança.

e se paro agora e olho aqui dentro
não encontro nada guardado
a minha infância está toda aqui fora
se perdendo junto ao tempo
se dosando para que ao fim de tudo isso
ainda me reste um respiro
um pedaço de moletom
um tempo específico
um desejo secreto nos olhos
um cândido dromedário.

a minha criança está aqui comigo
e não fosse eu ela
eu não seria ainda
algo capaz de valer toda esta pena.

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