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sexta-feira, 29 de outubro de 2010

cravo

é só uma pinta que não quer sumir
um corte que fica e persiste e se crava
eterno
sobre esta pele

é um pêlo
um dedo
uma unha feita história
deste presente
hoje assim no corpo referido
não tão mais passageiro

eu falo do corpo já ido
do corpo passageiro
dentro do qual me vou caindo
e nele assim indo
incontido
tropeçando no seu risco
no seu trepidar sobre a beleza
imatura
incapaz
impura

manchas, disso que falo
manchas de mãos de beijos de amassos
manchas do sexo hoje inda não todo lavado
do queijo
dos gostos do vinho
das uvas
contatos

eu hoje olho meu corpo
e não sei mais carícias
falo pelo soco
que me arruína
falo pelo tiro
que repete a rima
e não me deixa cindir
não me deixa cindir à completude

sou pedaço mesmo
sou parte sem dúvida eu sou
isso
corpo ido no tempo
em que o outro
corpo
quis ser corpo estado
quis ser corpo raíz
eternizado

eu não
eu já fui
eu continuo indo
eu estou perdido
gastando a pele
para sentir o sentido
da vida

sim
e ir enfim
morrendo com qualidade

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