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sábado, 14 de maio de 2016

retidão

aqui
só linhas
da mesa
do baú
dos cadernos e suas linhas
o espelho me olha
mesmo minha barba
toda reta
toda torta
o relógio só tem ponteiros retos
o isqueiros
os cigarros
aquela caneta reencontrada
o silêncio
o silêncio
essa música
afiada
estação
porto

eu sobrevivo
eu vou sobreviver
viu?
passou um segundo
sem que eu fosse capaz
de morrer.

você me ligou
nem vi
você me escreveu
nem soube
fiquei mudo
mudo
mudo eu mudo alguma coisa
algum desassossego

essa palavra
aquela outra música
eu odeio, mas amo
eu amo, apesar de

falta pouco
quantos dias?
eu vou chegar lá
e serão cinquenta
e tantas
ou menos
ou isso mesmo
sem mais
serei preciso
eu sei disso
eu preciso
e preciso acreditar
sem mais
nem menos
no ponto
transmutado do tormento

dói
sempre doeu
qual é a novidade?
meu peito expandiu
minha barriga cresceu
mas tudo ainda reto
como se o sentido
fosse sempre desde antes
um só
só um mesmo.

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