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segunda-feira, 5 de outubro de 2015

g o t e i r a

escorre o ânimo
gasta-se tudo
sem remédio

eu desço
em cada rua
e dou passos
largos demais
mais que o
sorriso
me gasto
sem retorno
nem reserva
eu fui

mas sigo
aqui
do lado claro
apesar
de tanta neblina

é o cigarro
a goteira do chuveiro
a luz queimada
o abajur provisório
o lixo
toda semana
letras e palavras
num papel
que depois rasgo

se a vida é provisória
sigo eu sem provisão
posso tombar amanhã
e nada servirá para
o futuro

sem comiseração
eu deveria saber
que estou aqui
para um pouco mais
do que apenas isto
de se gastar
e morrer
com frequência tenaz

estou bem
mesmo que não estivesse
sei que estou
gozo abundante
de casa escolhi
que fiz ou não
mas se fez
em mim

esta música agora
que não entendo
no entanto
me acalenta

o fim das coisas
é a vida em si
concentrada
não me impacienta

estou
estou
repito
aqui
fazendo poça
no poço profundo
dos sorrisos de outrora
redescubro
descoberto
alguma enzima

para deixar que as coisas
se plantem
sem tanto assim planejamento
mas sim
sim
dessa vez sim

com alguma prudência
alguma prudência
capaz de
me mover
ao diante.

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