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domingo, 18 de outubro de 2015

deixei de ser

não que me sentisse exigido
mas teve um tempo
nessa vida
que ser poeta
me fora um princípio
um ditado que me dizia
para que eu havia
nascido.

depois foi passando
e os versos foram virando
qualquer coisa

não soube mais olhar as ruas
e escrever seu íntimo
não soube mais
- após uma dor minha -
escrever sobre o mundo
e fiquei entretido
na minha engenhosa
mesquinharia.

deve haver um crime
destinado aos poetas
que deixam de sê-lo.

sou criminoso, eu sei

porque perdi a responsabilidade
do trato do uso
de uma arma
chamada
verso

perdi
não sei o que aconteceu
mas perdi

e sigo perdido
fingindo ter potência
onde hoje sou praticamente
indiferente

penso:
fazer força é poesia?
há poesia no esforço?

sempre acreditei que poesia era mais simples do que um suspiro
me enganei
estou perdido
criminoso
e perdido
solto, não preso
livre, mas equivocadamente
sobrevivo

com palavras em mãos
versos em meus lábios
estou em crime
e armado

matando o mundo
que desaprendi
a ter cuidado

hoje me vou
amanhã
talvez
rendido por estas mesmas palavras
eu tente voltar

e consiga.

que difícil, mundo, é a sua vida.
que difícil, verso, é a sua poesia.


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