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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Desvendamento

Tudo estava opaco.

Com margem dura
e bem definida.

Numa tarde, foi preciso
se deixar sobre o chão
para alcançar de volta
o cuidado da colcha
o sossego do linho
e a pertinência
de um travesseiro.

Estava tudo muito
estipulado.

Nem ventava.

Os caminhos
de toda e qualquer coisa
eram apenas respostas
à pergunta que não vai calar:
por quê?

Um silêncio seco.

Os futuros em desarranjo.

Numa noite, em segredo,
pediu-me o íntimo por abandono.

Ergui-me da cama 
fui até à cozinha
bebi um litro d'água
e olhei aqui dentro:

Não será possível.

Luzes apagadas.

Nem mesmo havia música
alta.

Numa manhã, demorei minutos
até me lembrar de você.
Sorri, comedido
dizendo-me:

é assim que tem que ser.

Camada a camada
detalhe a detalhe
Eu ainda estou em meio
às fundações
Eu ainda sou terra
poeira e pedaços
Cacos
de pedras vidro e carne moída
e mutilada.

Vidro transparente.
Moldura preta e fosca.
Entrega agendada:

os quadros que nunca me empenhei
em enquadrar
em breve
ocuparam minha vista
cabeça
sala
alada,

povoarão meu bem
estar.

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