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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

fiquei pensando (...) amor


fiquei pensando
(e isso de pensar ainda me levará ao longe) fiquei pensando e o fato aqui está: estou ainda vivendo em débito, débito comigo mesmo, ainda estou me parcelando, pagando com prazos e altos juros o nosso sonho destruído.
fiquei pensando: ora, é isso o que eu sou agora, neste momento, estou apenas me dando jeito, meio ao meio em meio ao tempo. então, ciente disso, agora eu percebo: não há de haver problema em escrever essas coisas se isso é apenas o tudo que me restou; seria orgulho meu? imaginar que você possa ler estas palavras, imaginar que por conta disso elas deveriam ser mais lindas do que esse imenso meu mau estar? 
não, não, não dessa forma. eu ainda estou sem eixo, ainda sinto saudade, ainda choro, ainda (e sempre, talvez) não entendo. mas tudo dura menos do que antes durava. tanto é que ontem, por exemplo, deitei-me ao chão da sala. tudo escuro e fiquei a passear por nossas fotos: vi os abraços, os sorrisos, as promessas, revi tudo, tentei sentir seu cheiro e não me veio nada, exceto a tristeza de já ter esquecido (uma porção de detalhes teus que eu tanto amava); achei que fosse chorar, acho até que estava precisando, mas acabei dormindo de tão morto desse cansaço que você foi nos arranjar.
aí depois, depois, eu sonhei, mas não lembro com o quê; depois eu acordei e estive certo que a sua escolha é isso mesmo, era para ti apenas e não para nós dois; e isso me acalma, de alguma forma, me acalmou. se você estivesse longe de mim (como agora está) se você estivesse sozinho de mim (como agora está) e se estivesse você perdido confuso dificultado sem rumo (eu morreria por não poder te ajudar), mas não é isso, né? 
você está bem aí na vida grande que resolveu sozinho bancar: você está bem e contrariada a minha dor, a sua minha falta, fora tudo isso persiste em mim a descoberta de que a vida tem dessas coisas.
hoje se completam cinco semanas desde um dos dias mais tristes já vividos por mim; hoje já cinco semanas e eu aqui ainda dando satisfação a cada respiro que dou, ainda te respondendo na forma de arrumar o lençol no jeito exato de pendurar a roupa no varal eu te vendo em tudo e em quase todos mas,

essencialmente,

eu me descobrindo depois de tanto tempo vivendo fora de mim

depois de tanto tempo servindo ao nosso amor, eu estou agora me revendo e gostando de ser o que me tornei de mim. vai passar, guri, vai passar e num dia, lá na frente, se tudo der mais ou menos razoável, a gente se conta tudo o que aconteceu quando não mais pudemos nos abraçar e nos cuidar e nos contar:
a vida vai passar mas é preciso deixar, deixar faltar deixar os olhos dormentes (sem procura evidente) deixar o peito vago semeado de silêncio e frígida agonia (como agora meu peito está). 
vai passar, joão 
mas até lá cruzaremos muitas ruas sem que nenhuma delas nos reúna, 
adentraremos os mesmos táxis, eu logo após terminada sua corrida, e mesmo tão perto, não teremos nos visto, 
e entraremos em lojas em minutos subsequentes e aposto que minha mão tocará o seu mesmo livro que sua mão acabou por não levar 
e assim, sem esforço nem calor, um peito vai abraçando a fantasia do outro e numa hora (ou noutra, tanto faz) a gente brinda juntos à vida e à possibilidade de, vivendo, multiplicar o que aprendemos juntos a fazer nascer:

 amor.

Um comentário:

Betânia Dutra disse...

e eu te lendo me leio em outros tempos (e agora, talvez também, quem sabe?), te entendo e deixo as lágrimas escorrerem vivendo o teu momento e revivendo o meu... tudo passa, frase boba que tanto ouvi e insisto em repetir. na verdade não passa, só aos poucos a dor vai sumindo e as lembranças ocupando outro espaço na memória. nem sempre dá pra entender, mas é bom se encontrar e que o tempo torne esse amor mais leve e que no peito fique uma flor e belas lembranças tomem o lugar dessa dor. torço por vocês, por mim e por ela, torço para que o amor volte e os sorrisos passeiem pela casa.

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