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terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Sobre as coisas bonitas

Eu confesso
talvez seja o cansaço
Mas bem que eu queria
conseguir ver a beleza
a me seguir os passos.

Deve haver algo de lindo, não?
no meio dessa obra toda.

O eixo da construção caiu
as fundações estão expostas
sai formiga grande e gorda
por todos os lados e buracos
Mas deve haver algo
um algo sequer
Que seja belo, não?

Todo fim encerra um começo
porque a vida não cessa
mesmo quando o corpo morre
Porque segue o corpo morto
dentro do mundo
se viajando e se revivendo.

Algo bonito, alguma coisa
tem que existir.

Eu me olho no espelho agora.

Eu ouço as músicas mais delicadas
que escolhi nesta noite apenas para mim:

deve ter sim um sorriso ainda sem força
mas querendo nascer;

deve haver uma memória mais secreta
que quando surgir, tamanho o imprevisto,
ao invés de trazer dor
dará uma trégua ao desespero;

deve haver um abraço futuro
que não me mortifique de medo;

deve haver um acaso terrível
a coser de novo a bainha
que nos soltou.

Deve ainda haver amor.

Mas, por agora,
o que há é lágrima para fora
e para dentro
É noite hoje fria
e o relento de uma casa para um homem só.

Deve haver alguma coisa na vida
esperando-me para desfazer esse nó.

As coisas bonitas, como sempre foram,
meus olhos hoje mais que nunca
começam a perceber.

Não é bem ao tempo a quem eu agradeço
nem muito bem agradeço a um você

Hoje
aqui
Nesta noite
passando
Eu agradeço à possibilidade
de ver através
do pranto.

É isso.

É isso mesmo.

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