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quinta-feira, 8 de maio de 2014

Teresinha

Dei-lhe um beijo na bochecha. Depois ela perguntou quem eu era. Minha mãe surgiu, saindo do banheiro da casa de Teresinha. Sorriram e se abraçaram-se. Lembra dele, Teresinha? Perguntou a minha mãe. Teresinha, meio sem graça, fez que não com a cabeça (em silêncio). Eu disse: o caçula, o diabético, vim aqui muito pequeno. Ela perguntou meu nome: Diogo. Tá fazendo o quê? Sou diretor de teatro. Você é o que mora no Rio? Isso. Teatro? Isso. Dirijo peça de teatro. E escrevo também. E completei: os outros irmãos são bancários e médicos. Todos ricos. Menos eu. Eu não (para não deixar de se autodepreciar). E então: está casado? Sim. Com uma moça? Não. Com o quê? Com um rapaz.
 
Silêncio. Espanto. Olhos cheios de lágrima. Ela nunca tinha acreditado que isso era possível. Ficou muito tempo sem saber como me chamar. E não conseguiu. Eu, no auge do meu estado, só consegui acompanhar o seu dilema e não fazer força, deixando que ele durasse.
 
Durou até ano que vem. Posso vê-la agora, costureira, chorando dúvida sobre a máquina. Não sei. Não sei. Quando o mundo já não me parece ser tão ingênuo, eu redescubro que saber de novo é tão importante quanto achar que tudo já se sabe.
 
:-0

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