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sábado, 24 de janeiro de 2009

Fermentação

A sensação do vinagre correndo a pele é inevitável. E no caminho, envolvido pela poeira no ar, sinto o vinagre fermentando tudo aquilo que em mim faz repouso. Nenhum segundo é seguro em meu corpo. Sempre se dá nele uma transformação um desejo uma busca pelo todo. Busca irrompendo mal se dá - no corpo - um qualquer toque.

Inevitável, eu devo dizer. Como se residisse em mim uma poeira capaz de germinar. E sendo ela assim lavada, lavrada, lançada pelo corpo adiante, tudo em mim fica maior do que é grande. Tudo em mim fermenta e o espaço do corpo se lança ao espaço porque o corpo em si não se sustenta. É dessa sensação que eu estou tentando. É essa privação - do corpo sobre ele mesmo - na qual estou lutando.

Não precisa dizer nada. Não precisa ler. Não precisa - tentar - entender. Tudo é assim desnecessário. Como se uma pulsão de morte rompesse de dentro, vinda de cada pedaço, aniquilando na sua passagem o esforço pelo todo, pelo contato. Pelo amor. Uma pulsão consome vindo de dentro e o que eu sou, o corpo que formei, tudo isso independe porque a força que cavalga interiores é maior, mais grosseira ainda do que se pode detectar nos verbos.

Toca a poeira em minha pele. Desce o suor ácido de cor vinagre. Fermenta em mim sua casa cria em mim sua nave e decole, faça o corpo decolar, buscando no espaço o que nele mesmo é impossível encontrar, porque desejo - desejo - não se fecha em si mesmo. Desejo, amor, essas coisas não se completam, pois aniquilam-se - sempre - para ter que fazer amor novamente, para ter que juntar pedaço e colar ingredientes. Sempre.

"Tudo explode.
A desesperança não é um diálogo triste, mas sim o estalo de
um silêncio ensurdecedor"
.

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