pesquise no blog

domingo, 11 de janeiro de 2009

Desalinho

A uma hora dessas

Eu deixo o seu piano tocar

É doce

Rente à pele

Tudo o que eu preciso

Para dormir

E acordar

Feliz


Uma vez eu pedi

Toca um piano para mim?

Você sequer respondeu

Estava perdido

Como está essa gota

Que agora escorrega pelas minhas costas

Rumo à conclusão de seus dias


Evapora

Desejo evapora

Ultrapassa a sua fase agonia

E vira capa cândida

Vira pele flâmula

Sede

Nunca mais


O calor que agora volta

Foi o não todo consumido

Foi a pele pedindo mais atrito

E eu sem ouvir

Calei-a na solidão

Do não atingir

Na espera

Da putrefação


Você me dragou para dentro disso

Agora não sei voltar

Resta um gosto perverso de perda

Mas resta ainda a vontade

De triunfar

Sem você

No seu lugar


São partes soltas

Nada aqui tem o peso

Do que o conjunto das louças

Dos cacos

Dos meninos

- todos eles apaixonados

são capazes de amargar


Não é possível achar um centro

Um horizonte esburacado pelos tiros

Não é possível

Cada verso atira a um destino

Todos tentando a verdade acertar


Mas no íntimo

No meu dentro meu interior aqui

A verdade consome as paredes

E colore o segundo

Nada aqui dentro hoje pode ser mais taciturno


Venha,

Minhas mãos te chamam


Venha

Estique o seu corpo

E me acompanhe,


Nosso caminho não pode ser assim tão perigoso

Eu tenho você

você pode se proteger com meu corpo

Venha

Não demore mais

Eu estou sozinho

E esperar é cessar o ar

É pedir para morrer um corpo que no auge

Da própria vitalidade

Só pode partir mesmo por amor


Deixe-me só

Tudo assim transtorna o passageiro

Eu não tenho dimensão do seu caminho

Eu não sei, eu sou parvo amante grosseiro

Nada interessa afora o fato do conforto

Do meu bem-estar,


Eu não me importo

Não posso me importar

Se dentro de você as coisas se escondem

E me enganam

Eu não posso adivinhar

Se o seu silêncio desvirtua a alma

Se o seu olhar desnuda não somente a carne

Mas também minha calma,


Venha!

Eu não me importo

Eu te rodeio com meus braços

E abandono o peso sobre você


Isso é amor.


Tente agora compreender

Eu não amo

Eu não quero amar

Mas eu sou livre o suficiente

Para sobre você restar

Com a dignidade dos amantes,


Com as escoriações deste semblante seu

Todo machucado

Todo revolto assassinado

Semblante autoritário,

Eu não me importo


Eu cresço com o que é difícil

Em busca eternamente o precipício

Pois é esse o mistério do meu viver

O dia

Independem as horas

Mas o momento

O tempo

O espaço

Do meu morrer,

Do seu

absoluto deixar de ser

.

Nenhum comentário:

Postar um comentário