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segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Diário

A imensidão de filhos que eu criei, meu Deus. Só mesmo agora o tom celeste pode de mim se aproximar. Meu desespero sobrehumano, meu desejo tenaz, olha onde me fizeram chegar. Não vou delatar sequer um deles. É doença incapaz de se curar. Não porque talvez não houvesse cura, é que o problema está no corpo. E este corpo já não se pode manipular. As costas se envergaram de tal maneira que fazem o corpo por ele mesmo se apaixonar. O corpo cheira a sexo. O desejo nele é complexo. Não quer sair de si. Quase não deixa outro alguém entrar. Por isso não vale dizer sobre os filhos. Porque são todos frutos do desalinho, filhos reconhecíveis, mas provavelmente um tanto perdidos nesse ninho. Se alguém pudesse me ajudar. Se alguém dissesse outra coisa que não o despeito o sem jeito a ignorância do não poder compartilhar comigo a fixação dos meus dias. Não quero mudar o mundo! Não quero fundar a revolução! Não detenho nenhuma verdade! Que ódio que me corrói quando dizem o que eu faço sem sequer olhar meus olhos. Não quero pretensões. É só que minha vista vê fantasmas. E você não. Não é diferencial nem sequer original. Se tento dizer que não é nada disso, no dizer faço outros contornos e quando eu vejo o meu medo virou outro e o objetivo partiu sem me avisar, tudo distancia, quanto mais longe mais longe eu vou me achar. É uma solidão delicada, diferente. Não tem a ver necessariamente com alguém que não esteja mais aqui. A casa ontem estava cheia mas estive só por toda a noite. Essas são minhas perguntas sem resposta. São minhas curas para doenças que sequer existem. Esse é o meu horizonte, cravado no meu umbigo. E entre nós, uma ponte de aço-eterno desenha em milhômetros de distância, o meu paraíso.
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