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quarta-feira, 25 de julho de 2012

calor

sinto um calor agora
estou pensando se devo me escrever a mim mesmo
se devo escrever
sobre este momento
para amenizar um pouco
a sensação de ver tudo indo
e eu ficando,
perdido e desorientado.

eu pensando se devo fazer poesia ou trabalho
se um dia conseguirei ser o que sou
sem que para isso eu precise me mutilar a cada passo
dado
não sei
sorteio o meu destino
quero ser mais tempo
e menos espaço.

estou quente
a camisa preta assegura o calor que quero perder
mas se fico
nisso aqui entretido
pois se fico
conservo ao corpo
a irritação que nunca quis deixá-lo esquecer.

eu sempre querendo me judiar e me fazer comigo mesmo aprender.

eu querendo sempre me fazer maior e mais forte que o tempo.

estou cansado
e tanto ainda por minhas mãos acontecendo,
tanto me esperando
tanto me puxando
me amando
tanto me comendo,

queria hoje, mãe, de novo
ser música

ser salto e voo
ser pulo e todo

as palavras morrem fáceis na minha mão
o que desejo delas
é improvável

elas me olham
neste instante
e eu sei
querem me dizer
as palavras querem
me dizer:

você hoje
assim como ontem
não terá solução.

contente-se em estar vivo
e ter pernas para ir à janela
e fazer o vento entrar.

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