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domingo, 21 de setembro de 2008

Eu tentei desenhar o seu rosto

Mas não me estranha o fato de não saber desenhar

Estranho primeiro

O fato

De seu rosto

Eu não todo lembrar.

Como se através do tempo

Suas linhas tendessem ao pulo

Tentadas a seguir num rio qualquer

Feito o seu sangue fez ao escorrer o céu

E escrever no voar

Que você, enfim

se foi para não voltar.

Não sei se é tristeza

Mas tive que parar um segundo

A minha voz esmaeceu

Os amigos ao redor não entenderam

Porque tanto eu rabiscava um papel

Meio amassado

Meio jogado sobre minha cama

Meio tendo perdido

Num segundo

Toda a esperança.

Eu estou aberto agora

Faça o favor de entrar.

Estou esperando você um dia voltar

Apesar de saber

Eu sei

Que morreu

Morreu o corpo primeiro

E o que havia dentro

Eu aqui escrevo

Feito mistério

Que não se dissolve por inteiro

Eu aqui escrevo feito

Eu sem você

Feito o medo de não morrer

E ter que ainda nessa vida ver muita dor rompendo

E o meu peito chorando cego

Gritando intenso

Os meus amigos se lançando

Sem tempo para um adeus,

Você está tão presente

Que estranho o valor do tempo.

Nada parece ser tão distante

Quando o que há ainda é intenso.

Não

Eu realmente nunca me senti assim antes

Estou ao seu centro

Você é meu redor

Eu não quero me esconder

Pode então você se aproximar.

Tento me lembrar porque tive tanto medo de ser o que sou.

Mas você me ajudou nisso aqui

Ajuda sobre a pele

Que se constrói riscando até o osso

Rompendo o pêlo e a carne

E tudo me parece tão certo agora.

Não parece?

Perece.

Um errado muito certo.

Um rompante desconexo

Mas vital.

É um ciclo assim mesmo. Ciclo para mudar o nome. Para subir no trono e tombar adiante. Sinto saudades. É um pouco disso também. Estar nu ao seu centro. Eu não quero esconder. Veja através de mim.

Kelga.

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