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terça-feira, 1 de julho de 2008

July está em casa

Ela chegou de repente. Quando percebi, eu já não estava ausente. Já não temia o frio da manhã porque sabia, sempre soube, ela viria diferente. E veio. Nessa manhã que poderia ser como todas as outras, July entrou voando pela janela e me assustou. Susto bom, como costumam dizer. E foi. July pegou-me pelas mãos e me perguntou se ia mesmo me jogar. Mas com ela ali, me olhando daquele jeito, fui eu que sem meios tive que dizer que não, July, que agora não, afinal, ela chegara quente após tantos meses.

Fomos tomar banho juntos. Ela recostou-se com a cabeça na altura da janela do box. Eu ali me lavando e ela esfregando a cabeça no azulejo azulado. July me desespera desse jeito, quer me fazer viver e o pior, consegue. Não me deixa parar de ouvir a sua música preferida, que eu já adoro. Nem sequer me impede de fumar. Coisas que quando July me permite ser, é porque desejo mesmo que eu seja feliz. Ainda que morra depois, ela me disse ao me enxugar, morra feliz, não é?

É sim, July. Acordei com você e morri ao te ver. Foi realmente muito bom ter você assim, logo de manhã. Talvez eu devesse dormir mais um pouco... Não! Me gritou. Você quer dormir mais e inventa que é por mim. Mas não é! Quero dizer. July, seria ótimo acordar com você aqui, a me espionar, olhando-me enquanto o sono ainda habita o meu corpo. Que corpo tem você, devo dizer. Não adianta envergonhar, é seu corpo mesmo que me dá prazer. Que me traz e me leva sem eu nem mesmo escolher: se vou ou fico? Se choro ou rio? Acho que rio.

Vamos ficar juntos neste mês? Vamos sim. Achei que você talvez não quisesse mais me ver. Quem sabe no próximo inverno eu não esteja mais aqui. No próximo inverno eu tenho medo que o mundo congele. Você não percebe? Eu sinto. Veja a minha pele: todas as bolinhas que fazem de mim esse que sou. São bolinhas assim porque estou sem camisa e então é fácil ver aquilo tudo que me forma.

Vem aqui. O que foi? Me dá o seu abraço? Apertado? Muito, muito apertado! Tudo bem. Ai, como isso é bom. Acordar com você, July. Isso parece mentira, não porque é verdade, mas porque vai durar pouco. Quando você vai? No final do mês. Não posso me prolongar. Tudo bem, July. A nossa condição de reencontro é saber que ele irá acabar. Eu me acostumo, já até me acostumei. Mas vem aqui. O que foi? Dá um beijo no meu nariz. E outro na ponta do meu umbigo. Mas o seu umbigo é para dentro. Eu sei, só disse isso para ver se você lembrava. Eu lembro de tudo. Eu sou uma bolinha que te faz ser um todo. Sim, minha bolinha. E o que mais?

Vem aqui. Que foi? Outro abraço. Está dado.

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