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sábado, 3 de maio de 2008

Pretensão

Eu faço assim:
Movo sem pensar
E escrevo sem falar,

Lanço a palavra
E puxo a seguinte
Tal qual se faz onda
Em mar,

E nisso,
Passam por mim coisas
Que por mim se passaram
E passam também
Coisas que ainda em mim
Não repousaram.

Corpos nadantes
Saltos cortantes.

A epiderme do mar
É rasgada a remo
E o movimento
No mar é pleno
É contínuo
E sozinho
Movido à sede
Por isso
Ser dentro,

D’água
Dentro d’onda
Dentro donde quer que
Esteja
Em cada sua parte
Uma imensidão ilumina
E do ponto se faz firmamento
E da estrela constelação

Da onda o rio
Do rio o desaguar
O desamar
O deixar partir
O despedaçar

Das mães
Meninas
Damas
E canções, como há canções!

Todas despidas nessas bocas precisas
Nessas bocas novas e velhas
E viúvas e na espera,

Como há canção
Nesse precipício
No qual lançamos
Nós
O próprio e nosso
Coração.

E no bateres
Caso tropeces
O coração jorra dor
Pinta sangue
Sangue a cor
E nisso,
Descobre-se
Ser mesmo amor.

Amor morrido
Amor perdido
Veneno indevidamente consumido
Gera a morte
Pela metade,

Gera a sorte
E o seu embate,

Gera a luz
De uma obscuridade,

Gera o sorriso
E gira a perversão
Nesse girante universo
Que chamam
Ó, coração.

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