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sábado, 3 de maio de 2008

Estranheza

É estranho, eu sei.
Mas vou tentar, dizer.

...

Não sabemos ser dois,
Ou se sabemos,
Por isso sofremos.

E ser três, ser quatro
Cinco ou seis?

Meu coração está dividido em quatro
Partes: ventrículos e átrios
Esquerdos e direitos
E de dentro
Parte uma mangueira
Aorta
Que leva e traz desassossego.

Não sabemos ser dois,
Quiçá, respeitar o ser
Que é dois.

Talvez não por querer
Nem por saber
Mas por força maior
Que impinge ao peito
Os sentimentos
Do meio.

Do meio do caminho,
Do meio do menino
Do meio do destino.

Não sei ao certo o que quero dizer,
Mas tento agora a clareza obter.

Pois falo de num só ser
Sentir-se o matiz
Das sensações
As pontas extremas
Que atingem o coração.

É viver e morrer
Ao mesmo tempo
No mesmo corpo
E esse é o fermento
Da própria vida
E de sua morte.

Ainda não? Eu sei.
Temo às vezes dizer
Aquilo que me surpreende
Mal se acorda
Ou mal se vê,
Você
O céu
Um ser.

Falo de tudo aquilo
Que me faz parar.
Que me deixa trêmulo
As pernas a balançar.

Falo daquilo que ainda
Não me tira o sono,
Pois eu gosto de sonhar.

E sonhar acordado é impor
À realidade
Outras cores saturadas
Outras veias demarcadas
Outros princípios e escadas

Que não as suas.

Pauso agora,
Pois não compreendo
O meu dizer.

Meu corpo está aqui comigo
Indo através do tempo
E eu preciso senti-lo
Nesse ir
Nesse vagar
Perder-se
Para quem sabe
Se encontrar?

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