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sábado, 3 de maio de 2008

Pés

Pés que despertam antes do amanhecer
Por que se estalar antes mesmo do sol?

Durmam mais um pouco
Recostem-se um no outro
E assumam na própria forma
O amar de seu caminho.

Extenso caminho
Mal se faz amanhecer.

Postem-se adiante
Recuem um instante
Deitem nas laterais
Como se abrissem espaço para quem passa,
Mas não pede licença.

Cortaram suas unhas.
Fui eu, devo dizer.

Os tropeços do percurso
Quando as unhas estão grandes
Doem mais, sinto doer.

Hoje mal de pé se colocaram,
Percorreram a casa numa ansiedade digna
De quem não sabe o rumo a seguir
Ansiosos dignos
Porém de se ir.

Mal acordaram e lavram-se completos
Entre dedos e peles
Entre calos e pêlos
Lavaram-se os pés
E secaram-se ao meio.

E então a meia veio
E o dia mandou chover
E a chuva tocou o solo
Sobre o qual vocês pisaram
E nele quiseram nadar.

Hoje os pés úmidos ficaram
Porém não tristes, nem frios.
Foram pés seguindo adiante
Sempre rumo ao asfalto
Quente asfalto do descobrir-se
Mal se rompe a casquinha.

Boa noite, agora.
Durmam pouco mais do que ontem
Acordem ainda mais ansiosos
E corram o mundo, velozes
Como fosse o seu último respassar.

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