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segunda-feira, 6 de junho de 2011

Ideal

Se foi voando
nem pediu licença
partiu mesmo
primeiro ao meio
e depois pela janela.

Meu ideal morreu cedo
nem tive tempo para velar
seu corpo
minha vontade
sobre o seu corpo
ainda estremecida.

Morreram então sonhos
morreram investidas
e ações certeiras
comparações
rimas versos
e porto-seguro
morreu tudo
e eu amanheci
com frio.

Olhei para meu corpo
olhei rumo a um abrigo
Nada havia
exceto a certeza imediata
de que sim
estava só.

Num só tempo, então
segui pleno
e confiante
Se ele tinha ido assim de mim
era porque ser só talvez fosse o que houvesse de mais importante

E então sorri
não por achar graça ou grandeza
Sorri pois ouvi ao longe uma música solene
Música solene é sempre passageira
gorjeia o vigor das horas
e parte

a tempo de te deixar surpreendido
com tamanha poesia.

Hoje, se olho de volta
meu sorriso inda persiste
lá longe, hoje se olho de novo
posso ver como era pequeno
e como nisso já fui grande
amante tenaz
de costuras sempre irredutíveis
ao extermínio.

Minha poesia nasceu no dia em que meu primeiro sonho não fez sentido,

e então, virei poeta.

Alguém assim, assumidamente,

equivocado.

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