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domingo, 26 de junho de 2011

Disfórica Utopia

Resta uma perna
em coágulo exposto.

Resta uma mão
despedaçada
mas firme sobre o solo
seco e solto.

Resta um sorriso
em dentes desmembrado.

Resta um suplício
sem áudio
sem agudo grave
ou medo expresso.

Transvestida
re-inaugurada
Ela desfila sobre as partes
segura de sua necessidade
de nossa necessidade
nela ali
concentrada.

Não corram,
olham os olhos lentos
rumo à nova morada:

és o princípio mais incerto hoje
és a segurança mais pouco
clara.

Eis-me aqui:

disposta ao que fizerem de mim.

E zomba destemida
ciente de que sua morte
é nossa azia.

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