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quarta-feira, 22 de junho de 2011

Embriaguez

Tornou-se fato
necessidade
Para sair de mim
e flertar
outras
possíveis
miragens.

Meu olhar esteve bruto
durante um tempo
ele esteve seco
talvez porque
desaprendi
a chorá-lo.

Então tornou-se fato
concreto e irremediável
essa dança rumo
ao não concreto
rumo às formas
soltas
e disformes
às formas
curtas

e breves.

Sonho sentado.

O vinho que me faz mal
me invade e cose a existência.

Que cruel ter que precisar do que é mal
para saltar de sua aparência,
não?

Resisto instável
sobre esta cadeira
de rodas enguiçadas.

Um comentário:

Vanessa Gomes disse...

Olhar esquecido, olhar embriagado, olhar penetrado, olhar perdido, olhar os olhos por ti procurados...quando uma parte do corpo se esquece, faz-se dor, para o corpo reativá-lo. Estímulos diários que embriagam, desvaziam, alienam...olha-me grita os olhos...o sangre retorna, o vinho fermenta, o corpo estranha...e voltamos a ver, o que não vimos antes num tempo outro, num espaço outro...e no estranho vivenciamos, esperando ao acordar revivenciar de novo. Ai essas suas palavras que me tiram do lugar...

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