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quinta-feira, 13 de maio de 2010

sim, hoje amanheci com um frio de congelar a espinha.

não. não adianta procurar.
o nosso amor não está na sala
sob o tapete apenas há poeira
por sobre os móveis
apenas livros e livros e livros
ele não está mais aqui.

partiu.

acordei cedo
procurei dentro da cafeteira
revirei com luvas plásticas os pães de queijo
ainda hoje congelados
não achei-o
não está entre as louças
nem entre as sujas
nem entre os cacos.

partiu seguro.

olhei o céu
pela janela tudo é escuro
nada brilha de fora para dentro
as roupas no varal a vassoura os pregos
tudo estático nem o vento anima a possibilidade
deste encontro, porque você partiu
quer dizer, você partiu o nosso amor.

partiu com tudo.

errando em cada pedaço
sendo só você em cada duplo-espaço
você deitou sobre um ventrículo
o peito num só átrio
os pés no outro ao lado
e o ego, inflamado, sempre inflamado
aquecido no que havia restado
de espaço
quem sabe
eu não sei
mas quem sabe
no que havia restado de espaço para mim.

partido.

eu não teria me importado.
eu teria me apertado em qualquer buraco
por você, mas
no final das contas
você não foi um bom partido.
não mesmo.

resta assim
aqui dentro de casa
o sol me entrando pela janela e dizendo
vem para cá, que está frio.
vem para a sacada.

___
FONTE-ME.

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