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sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Poema para Expressar o Inexprimível

Não consigo te classificar
Cansei, não me restam nomes
todos em vão já foram tentados
os que sobram são mefíndromes
pequenas bálsidas imersas
no caos original,
que lhe dá chão.

Não há mais verão inverno outono
a primaveira partiu
deixando em seu lugar um mix de estrídolas
um cheiro longo e vigoroso
de amérculas

Sobrou tentativa
sobrou espera
sobrou tijolo
e a obra ainda assim está partida
com um fosso no meio
deste obscuro inflâme.

Cansei de te dizer
se certo ou se não
se belo ou se sim
eu disse
mas o que eu levei para mim
foi um dicionário cheio
de aspargos
cheio de páginas
de ácaros
de mirceas
eliades.

Acabou a privação.
Eu não poderei restar só
como quis
lá no início
restar só como fosse isso princípio
para a felicidade
que agora brilha
informelca
posto insegura
felicidade
não mais seiva-
bruta.

Tudo assim
imerso no secular neologismo
irmerso nas ondas nos ondicos
nos meninos surfistas
transpiros.

Acabou minha vez
agora é você

Dar-me nome
é o destino do homem.

Tentamos.
Antes que nos tentem
as blênquidas*
na horta vizinha.

* Blênquidas: plantas de teor venenoso, porém de forma e cor atrativas. Seduzem insetos pelo cheiro e os consomem quando estes tocam a seiva bruta, tão doce quanto a morte.

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