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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Liquefazer

Eu deito minhas costas sobre a cama
O que resta em seguida
Não é um corpo
É uma mancha
Um rastro de sua perdição
Convertida em suor
Suor convertido em hora morta.

Tingindo a face
Escorrendo degraus na pele escoriada
O mesmo suor das costas
Converte o rosto
Em reluzente estrada,

Suor do corpo é um só
Para toda e cada parte
Este mesmo suor é de esforço
Esforço prazeroso do não se deixar morrer
Em plena tarde de sol.

Eu deito as mãos sobre o corpo
Eu deixo escorrer a minha vergonha
E indo lá embaixo
Já além-ralo
Sou eu quando menino
Eu consciente agora de meus atos.

O que eu deito é meu desejo
Tudo que encosta-se ao corpo
Converto eu agora
Feito suor
Converto eu agora em gracejo.

Em gracejo eu me soco
Acariciando-me eu me mutilo
Me mordo
Me torço
Me costuro,

Eu faço nesse suor tudo ser preciso
Posto tudo seja assim direcionado a você,
Que sequer existe no perímetro do meu corpo
Que sequer insiste ao seu dono,
Fique louco.

Fique, o corpo
E perpasse nesse relevo
A morte do tempo
Cavalgado primeiro
Pelo toque

E depois,
Como fosse mais grave
Mais tarde
Cavalgue em mim o suor
Deixe por mim tudo escorrer,

Tudo o que não podemos compreender
Deixe em mim tudo liquefazer
Tudo o que não podemos
Sozinhos
Empreender.

Feito fosse suor o choro
Feito fosse choro o nosso acordo
Preciso
Seguro
Infinito.

<KENOX S630  / Samsung S630>

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